sábado, 27 de novembro de 2010

Diálogos

Ódio. Se ao menos soubéssemos o que está errado podíamos ao menos tentar. A pior tortura é a dúvida. Mas é também falta. De coragem e de caráter. Mas é também excesso. De mediocridade, de ridículo.
Ódio. Ódio gera decepção. Decepção gera tristeza. Tristeza se torna ódio. Oroboros.
Esquece, esquece. Mas eu não esqueço, eu remôo. Esquece, esquece. Você esquece? Não, eu também remôo. Então? Mas eu digo. esquece, esquece, vira a página. a gente fala. Sabe que é só por falar. Mas mesmo assim a gente fala. esquece, esquece. Não. Esquece, esquece. Não, a gente até pode fingir que já esqueceu. Pronto, passou. Não, esquece.
Mas por quê? As 5 etapas da girafa? Quase. Por quê? para isso?! gastura!. Esquece.
Não esquece, muda. Acabou. até cheguei a acreditar... Se quiser, venha. você não tem que fazer. Acabou. Finge. Droga. Ódio. Ódio...

sábado, 4 de setembro de 2010

Fim da II Era Fábica - Início daTerceira Era 21-30

"Você sabe tão bem quanto eu que uma das principais causas do tédio é a estreiteza de nosso destino. Todas as manhãs despertamos iguais ao que éramos na véspera. Ser eternamente o mesmo é insuportável para os espíritos refinados pela reflexão. Sair do próprio eu é um dos sonhos mais inteligentes que um homem pode ter." Julien Green

sábado, 19 de junho de 2010

Um mundo coberto de penas

"Crer não é nada. Não crer é pior."

Religião. Assunto delicado que geralmente provoca controvérsias. Sem partidarismos, cheguei a ser questionado sobre qual seria afinal minha religião. Catolicismo, Anglicanismo, Protestantismo, Hinduísmo, Islamismo, Espiritismo, Xintoísmo, Budismo. A diversidade é imensa, mas, em essência, poucas são as diferenças. De uma forma geral, todas as Igrejas apresentam um ícone de suma potência - mesmo nos céus existem hierarquias. E, pelo menos em tese, todas pregam mensagens positivas aos seus seguidores.
Porém ainda não consegui me identificar com nenhuma. O que não significa que eu não acredite me nada. Pelo contrário, me soa irracional não acreditar em nada. Seria extrema prepotência do ser humano considerar-se deus, ainda que os deuses sejam uma invenção do homem (afinal, o conceito de religião é algo estritamente humano). Mas, afinal, por que não poderia existir mesmo uma força-maior que, se não intervém diretamente, ao menos orquestra a nossa vã realidade?
Curiosamente, no dia em que fui questionado, Antonio Abujamra entrevistou no programa "Provocações" Rubens Ewald Filho. Também lhe fora feito este questionamento, ao que o crítico respondera que embora também não seja adepto assíduo de determinada crença, não se acredita ateu - a crença no místico proporciona conforto para viver. Nisto, Abujamra sintetiza: "Crer não é nada. Não crer é pior.". Achei genial e me identifiquei.
Mas será que mesmo o ateísmo não seria uma religião? Acreditar que não há nada de místico no mundo também é acreditar e é filosofia. Pessimista, diga-se de passagem, mas filosofia. Aquela na qual a maior força de todas é o homem. Mas o homem é fraco, erra, se rende aos prazeres e as tentações, por isso acaba pessimista.
A morte de José Saramago, ateu e pessimista convicto, reaviva debates acerca de suas posições ideológicas, muito além da sua postura política - abertamente comunista. A genialidade de sua obra é indiscutível. É com pesar que recebemos seu falecimento (decorrente de falência de órgãos por uma leucemia crônica).
Aliás, Saramago afirmava que "a morte era a diferença entre estar aqui e não estar mais". Como será a terceira margem do rio?

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Atrase seu relógio em uma hora.

Fim do horário de verão. Amanhã reiniciam-se as aulas. Muitas expectativas. Finalmente comecei a Inciação Científica! Ela está muito legal!! Aprendi muitas técnicas, fiz meio de cultura e cultivo de fungos, me queimei no bico de Bünsen. Pena que ainda não tenho um projeto, mas estou em vias de escrevê-lo, o professor me propôs que eu o escrevesse, vamos ver no que dá. Tudo parece tão legal, agora preciso pegar firme pra conciliar as aulas com as atividades do laboratório. Agora não dá mais para deixar a peteca cair. Nova rotina. Novo semestre. As coisas mudam.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Manor of [...] Scrolls

Veio de novo. Aquela horrível sensação de solidão. Voltou. Por quê?
Parece um mal-estar, que me percorre por completo, consumindo-me. A agonia parece crescer exponencialmente. Sinto vontade de gritar, quebrar tudo, exacerbar meus sentimentos. Mas, por outro lado, não consigo fazer nada, tudo parece ser tão pesado e sufocante. Gostaria muito de poder falar isso para alguém, assim, pessoalmente, mas não dá. Existe alguém a quem possa recorrer além de mim mesmo? Nem mesmo aqui, seio familiar, consigo vislumbrar alguém, uma ilha (pequena que seja, mas uma ilha que me salvaria). Poderia recorrer àqueles cuja genética não é compartilhada? Dificilmente. Tornei-me presa dos meus próprios espinhos: Quem se atreveria a ultrapassá-los? Como eu poderia sair? Entro em apoptose. Há uma pessoa a quem até poderia pedir ajuda, mas o medo me proíbe. Nela não sei para qual lado pende o fiel da balança: a necessidade de falar x o medo de se decepcionar.
(In)felizmente estas páginas cumprem metade de seu papel... Eu as crio, ninguém as lê. Exceto é claro o meu leitor, a quem inicialmente dedico estas páginas. Mas esse é o grande problema, ele é somente meu leitor, pois só a mim existe. Entro em apoptose, sem deixar debris. A imagem social se salva? Terá valido a pena?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Koe (Voice) - Tsukiko Amano

Linda música em Japonês. Trilha final de Fatal Frame III - The Tormented. Segue-se a letra em inglês. Realmente linda.

If, for example, you lived at the bottom of the sea
I’d cut my feet off and become a fish
If I got closer to you the deeper I sank
I wouldn’t even mind becoming a shadow that wanders through the endless darkness

My shimmering haze hangs charmingly in the air
I was just drowning in the days that didn’t work out
You’re not here
I know that, I know that

As the sun rises and rises
It purifies the place where I am
The warm, warm wind takes away
The blue stamp imprinted on me

If, for example, these words reach you
You can rip out my vocal cords and throw them away

I was longing, longing
To have lost my stinging wounds
And for your warmth to take everything away
Even if it was just a dream

Your warmth is disappearing, disappearing
Taking with it the place where I am
I want to go to sleep wrapped in your arms
That even wipe out my punishment

The sun rises and rises
Purifying the place where I am
I want to sleep wrapped in your arms
That even wipe out my punishment

As your warmth disappears, disappears
It takes away the place where I am
The warm, warm wind takes away
The blue stamp imprinted on me

The pieces of my memories are rotting away
I don’t have enough piercings to cover myself
I'm forgetting you, you're fading
Your voice fades into the rabble

They're falling away, they're falling away
I don’t have enough piercings to cover myself
I'm forgetting you without a trace
Your voice fades into the rabble

Se tiver tempo, ouça-a e me diga se ela não é mesmo linda.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Medo

Acabou mesmo. Mais um sonho que se choca com a realidade e se desfaz em mil pedaços. Obviamente que eu já esperava isso. Era inevitável. Já estava determinado que essa hora chegaria. E mesmo assim eu continuei acalentando a idéia que não aconteceria. Pior, eu imaginei que o que estava acontecendo era outra coisa. Uma coisa que eu queria que acontecesse. Não queria encarar a realidade.

Agora tenho medo. Fiquei paralisado. O ar não saía nem entrava. Estático. O tempo parou. E aí é que toda a verdade desaba sobre minha cabeça. Quero fazer alguma coisa, desesperadamente. Mas não há nada a se fazer. É isso. É aceitar a realidade e tentar ter forças para seguir em frente. Será que elas existem mesmo?